Relevância na era da IA: branding, dados e diferenciação

A inteligência artificial mudou o ritmo da produção de marketing. O que antes exigia dias de criação, hoje pode ser gerado em minutos. Copy, identidade visual, campanhas e até estratégias completas passaram a ser acessíveis com poucos prompts.

Mas junto com esse ganho de velocidade surgiu um efeito colateral direto: a homogeneização das marcas.

Esse foi o ponto central do webinar realizado pela growwW, representada por Paola Gimenez, em parceria com a Dataland, que contou com a participação de Bruno Abacherli:

Quando todas as marcas têm acesso às mesmas ferramentas, o diferencial deixa de estar na produção e passa a estar na capacidade de construir significado.

A pergunta que guia o debate é simples, mas estratégica: como ser relevante quando a IA nivela a comunicação?

A IA não criou o problema, ela expôs um desafio antigo

A IA generativa já faz parte da rotina de marketing. Segundo dados apresentados no webinar, 78% dos profissionais já utilizam IA em suas atividades diárias. Ao mesmo tempo, 72% afirmam que o conteúdo gerado por IA prejudica a diferenciação das marcas.

Ou seja, não existe mais barreira de produção. O problema nunca foi “fazer conteúdo”. O problema sempre foi construir identidade.

A IA apenas removeu o atrito técnico e deixou mais visível algo que já existia: marcas que não têm posicionamento claro acabam soando iguais.

Nesse cenário, o marketing deixa de ser uma disputa por atenção e passa a ser uma disputa por relevância estrutural.

Veja também: O papel da IA e da automatização no marketing

O que a IA não consegue automatizar

Um dos pontos mais consistentes do debate foi a separação entre o que pode ser automatizado e o que continua sendo essencialmente humano. A IA é eficiente em:

  • Gerar variações de conteúdo;
  • Acelerar processos criativos;
  • Analisar grandes volumes de dados;
  • Testar hipóteses rapidamente.

Mas ela não substitui decisões fundamentais de marca, como:

  • O ponto de vista que orienta a comunicação;
  • O recorte de público e contexto;
  • O tom de voz que reflete cultura real;
  • As escolhas editoriais que definem identidade.

Esses elementos não são outputs de ferramenta. São decisões estratégicas. E é aqui que muitas operações se perdem: ao tratar branding como produção, e não como sistema de escolhas.

Na lógica de RevOps aplicada à comunicação, marca não é um ativo visual. É uma operação contínua de consistência.

Branding como sistema, não como campanha

A perspectiva defendida no webinar reforça uma visão central: crescimento sustentável nasce de sistemas integrados. Isso significa conectar:

  • Aquisição e conteúdo;
  • Branding e performance;
  • Marketing e vendas;
  • Dados e decisão;
  • Tecnologia e operação.

Quando esses elementos não estão alinhados, a IA apenas acelera a desorganização. Por outro lado, quando existe estrutura, a IA se torna multiplicadora de eficiência.

O papel do branding, nesse contexto, muda de forma significativa: antes, o objetivo era construir percepção. Agora, é garantir consistência em escala.

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O novo desafio: ser citado pela IA

Um dos pontos mais estratégicos discutidos no webinar é uma mudança que ainda está em fase inicial, mas já impacta o marketing: a forma como as inteligências artificiais passam a influenciar descoberta de marcas.

Com o crescimento de assistentes como ChatGPT e sistemas generativos, a jornada de busca deixa de ser exclusivamente baseada em SEO tradicional e passa a incorporar o que vem sendo chamado de GEO (Generative Engine Optimization).

Isso muda a lógica de visibilidade. Não basta mais ranquear em buscadores. É preciso ser compreendido, interpretado e citado por modelos de IA.

Na prática, isso exige linguagem clara e estruturada, consistência semântica da marca, conteúdo baseado em contexto e não apenas palavras-chave, presença de dados confiáveis e verificáveis, e coerência entre canais e mensagens.

Marcas com identidade difusa tendem a desaparecer nesse novo ambiente. Já marcas com posicionamento consistente têm mais chances de serem recomendadas como resposta.

O papel da comunidade e do significado

Outro eixo importante do webinar foi a transição de “alcance” para “pertencimento”. Em um ambiente saturado de conteúdo gerado por IA, a diferenciação não está apenas no que a marca diz, mas em quem ela mobiliza.

Comunidade passa a ser um ativo estratégico porque reduz dependência de mídia paga, aumenta retenção e LTV, reforça percepção de autoridade e gera validação orgânica contínua.

Mais do que audiência, marcas passam a ser avaliadas por sua capacidade de criar contexto compartilhado.

Esse é um ponto crítico principalmente em B2B: não basta ser conhecido. É preciso ser relevante dentro de um ecossistema de decisão.

IA como infraestrutura e não como protagonista

Um dos consensos do debate é que a IA deve ser tratada como infraestrutura operacional. Ela ajuda a acelerar exploração criativa, organizar informações, testar hipóteses de comunicação e reduzir tempo de produção. Mas não substitui estratégia, posicionamento, curadoria e narrativa.

Quando a IA vira protagonista, o risco é a padronização. Quando ela vira infraestrutura, ela amplifica diferenciação. A diferença entre esses dois usos define o futuro das marcas.

O verdadeiro diferencial segue sendo o ser humano

Um ponto recorrente no webinar é que, paradoxalmente, quanto mais avançada a tecnologia, mais importante se torna o fator humano.

Pensamento crítico, criatividade e curadoria estratégica são exatamente as habilidades menos automatizáveis e também as mais valiosas.

Em um ambiente onde qualquer empresa pode gerar conteúdo em escala, o diferencial não está mais na capacidade de produzir, mas na capacidade de decidir. Decidir o que comunicar, o que não comunicar e como se posicionar em um cenário saturado.

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Relevância é uma construção contínua

O debate com a Dataland deixa uma mensagem central: a IA amplia a importância do branding e redefine seu papel dentro das organizações.

Branding deixa de ser estética e passa a ser sistema. Deixa de ser campanha e passa a ser operação. Deixa de ser comunicação e passa a ser infraestrutura de decisão.

Quando todas as marcas operam com as mesmas ferramentas, relevância se desloca da produção para a consistência.

E, nesse novo cenário, ganha força quem consegue sustentar clareza de posicionamento e ser compreendido tanto por pessoas quanto por sistemas de IA.

Assista ao webinar completo: https://www.linkedin.com/event/manage/7473800081398358016/

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