Marketing sem cliques? Como gerar demanda e medir resultados quando seu site deixa de ser o centro da jornada

Há mais de 20 anos nós do marketing digital acreditávamos ter superpoderes. Enchíamos a boca para falar que o marketing tradicional estava ultrapassado, e que pelos canais digitais sabíamos dizer exatamente o quanto retorna para sua empresa a cada um real investido. Era o superpoder da mensuração de tudo! A partir de uma jornada mais linear, baseada em tráfego, cliques, conversão, relacionamento e vendas.

Cada canal cumpria uma função aparentemente clara: nos mecanismos de busca, otimizávamos sinais para conquistar posições e cliques; nas redes sociais, publicávamos links para atrair visitas; na imprensa, em blogs e sites especializados, buscávamos cobertura, backlinks e tráfego; nas plataformas de anúncios, simplesmente comprávamos esse tráfego.

Marketing sem cliques? Como gerar demanda e medir resultados quando seu site deixa de ser o centro da jornada

Tudo terminava no mesmo lugar: o site. A partir dele, tentávamos atribuir cada visita a cadastros, oportunidades, vendas e receita. Impressões, alcance, lembrança de marca e participação nas conversas eram tratadas como métricas menos concretas, reservadas aos canais em que não conseguíamos comprovar o resultado diretamente.

Vocês devem lembrar da briga eterna entre Branding e Performance!

Era um sistema organizado, previsível e, principalmente, fácil de explicar para o CFO: investimos aqui, recebemos tantos cliques e geramos determinado retorno.

Agora, busca é comportamento, não canal, e acontece em toda parte.

Uma e cada 5 buscas acontecem em outros lugares, além dos tradicionais canais de busca, e esses outros lugares não querem te dar visitas, eles não querem que o usuário saia de seus domínios! E assim o problema do zero clique não está somente atribuído ao google e sua AI Overview, ou as LLMS entregando a resposta. E sim a todas as plataformas (Amazon, Meta, Linkedin, Wikipedia, etc.).

Marketing sem cliques? Como gerar demanda e medir resultados quando seu site deixa de ser o centro da jornada

Ainda em google, que é um dos canais mais utilizados, cada vez menos temos cliques como ação dentro da plataforma. AI Overview responde perguntas básicas de topo e meio de funil.

Em Meta, os posts mais consumidos apresentam menos links. E aqui a brilhante ideia de colocar o link nos comentários? Não funciona tão bem quanto antes.

E com isso possivelmente seu gráfico de Visitas e Cliques se distanciem cada vez mais.

Plataformas priorizam conteúdos nativos – entregue tudo ali!

Seu conteúdo precisa entregar valor no próprio feed, e não apenas após o clique.

E com isso temos o fim da atribuição e mensuração

Antes de afirmar que o marketing de clique zero destruiu a mensuração, precisamos reconhecer uma verdade desconfortável: a atribuição digital já estava toda quebrada.

O modelo sempre dependeu da capacidade de identificar pessoas e transportar a origem de cada interação por meio de cliques, cookies e códigos de rastreamento. Mas, quando poucos usuários aceitam cookies, navegadores bloqueiam ferramentas analíticas, uma mesma pessoa utiliza diferentes dispositivos e legislações como LGPD e GDPR limitam o acompanhamento persistente, o que aparece no dashboard é apenas uma parte da jornada.

Marketing sem cliques? Como gerar demanda e medir resultados quando seu site deixa de ser o centro da jornada
Fonte da imagem: conteúdo apresentado por Amanda Natividad em “Zero-Click Marketing: How Founders Win When Google, Social & LLMs Stop Sending Traffic”, no MicroConf US 2026.

Isso significa que Google Analytics, CRM e plataformas de mídia não revelam necessariamente o que provocou uma venda. Na maior parte das vezes, mostram apenas o último contato que conseguiram identificar.

Uma pessoa pode conhecer a empresa em um podcast, acompanhar um executivo no LinkedIn, receber um conteúdo pelo WhatsApp, pesquisar a marca em uma LLM e, semanas depois, acessar o site diretamente. O sistema provavelmente atribuirá essa conversão ao tráfego direto ou à busca de marca, escondendo quase tudo o que construiu a decisão.

Um experimento com mais de 1.100 visitas distribuídas por 11 redes e plataformas demonstrou o tamanho dessa distorção. Todo o tráfego proveniente de TikTok, Slack, Discord, WhatsApp e Mastodon apareceu no Google Analytics como direto, sem qualquer informação de referência.

O mesmo aconteceu com 75% das visitas vindas do Facebook Messenger, 30% das originadas em mensagens do Instagram e 14% das provenientes de publicações no LinkedIn. Esse tráfego oculto é conhecido como dark social. Veja a pesquisa original da SparkToro.

Temos, portanto, uma dupla distorção: de um lado, canais orgânicos, comunidades, recomendações e conteúdos compartilhados de forma privada perdem o crédito e desaparecem dentro do tráfego direto; do outro, plataformas de mídia utilizam seus próprios critérios para reivindicar vendas que podem ter sido influenciadas por diversos outros contatos. O resultado é perigoso:

O que é mais fácil de rastrear parece mais eficiente, enquanto o que constrói demanda pode parecer irrelevante.

Como medir o marketing sem cliques?

Uma metodologia de Clique Zero não deve tentar recuperar cada clique perdido. Seu papel é construir um sistema de mensuração que combine diferentes sinais e permita observar, com consistência, se o marketing está ampliando a demanda e contribuindo para o negócio.

Essa leitura pode ser organizada em quatro camadas:

  1. Distribuição e atenção: impressões qualificadas, alcance, visualizações, tempo de consumo, salvamentos, compartilhamentos e respostas dentro de cada plataforma.
  2. Construção de audiência: crescimento de seguidores relevantes, assinantes da newsletter, participantes de comunidades e pessoas que passam a acompanhar diretamente a marca.
  3. Sinais de demanda: aumento das buscas pela marca, tráfego direto, visitas recorrentes, menções, recomendações e respostas à pergunta “como você conheceu nossa empresa?”.
  4. Resultados de negócio: leads qualificados, oportunidades, evolução do pipeline, conversão, CAC e receita.

Nenhum desses indicadores, isoladamente, explica toda a jornada. A consistência aparece quando eles são analisados em conjunto e ao longo do tempo. Antes de iniciar uma iniciativa, é preciso definir uma hipótese, estabelecer uma linha de base, determinar o período de análise e combinar quais resultados justificam ampliar, ajustar ou interromper o investimento. A mensuração passa a observar ganho incremental e correlação entre atividade, demanda e receita, em vez de tentar atribuir uma venda inteira a um único clique.

É assim que a conversa com os executivos também precisa mudar. A defesa do investimento não pode depender de “este post gerou esta venda”, porque muitas vezes esse dado simplesmente não existe. Ela deve demonstrar que, depois de determinado conjunto de ações, a marca alcançou mais pessoas certas, conquistou mais buscas, ampliou sua audiência própria, recebeu oportunidades mais qualificadas e aumentou pipeline ou receita.

A atribuição conforme medíamos nos últimos 20 anos está quebrada. A solução não é fabricar uma certeza que as ferramentas já não conseguem entregar. É adotar uma metodologia que transforme sinais imperfeitos em decisões consistentes.

Calma: o que você pode fazer assim que terminar de ler este conteúdo?

O fim do clique como comportamento dominante não significa o fim do marketing. Significa apenas que precisamos parar de depender de uma jornada que já não existe:

Todo conteúdo termina em visita → toda visita pode ser rastreada → cada venda é atribuida a uma origem.

Na prática, há cinco mudanças que você pode começar a implementar agora:

1. Construa sua autoridade também em terrenos alugados

(eu nunca imaginei que falaria isso, quando sempre preguei o contrário!)

Durante anos, repetimos que não deveríamos construir audiência em plataformas que não controlamos. Eu até usava o exemplo do cantor Tim Maia, que em sua biografia conta que construiu sua casa em um condomínio e precisou entregá-la ao vizinho quando descobriu que estava no terreno errado.

O alerta continua válido, mas não pode virar uma desculpa para ignorar onde as pessoas realmente estão. Lembra da regra do Give it all da nossa news passada? Então..

Para cada pessoa que chega ao seu site, muitas outras podem conhecer sua empresa pelo LinkedIn, YouTube, Reddit, Instagram, podcasts ou comunidades. É nesses ambientes que a atenção já existe.

Publique conteúdo nativo, completo e útil, sem condicionar o valor a um clique. E não copie automaticamente o mix de canais dos concorrentes: descubra onde o seu público específico presta atenção e concentre sua presença nesses espaços.

2. Mantenha pelo menos um canal próprio realmente forte

Estar em terrenos alugados não significa entregar toda a relação com o público aos algoritmos. Sua distribuição precisa alimentar um ativo próprio — e pasmem, para os coveiros do email marketing: O e-mail continua sendo uma das alternativas mais consistentes.

Em uma lista de e-mails, você preserva o acesso à audiência, constrói recorrência e reduz sua dependência das mudanças de alcance das plataformas.

Portanto, entregue valor integralmente nos canais externos, mas crie razões para que as pessoas queiram continuar próximas. A newsletter não deve ser apenas um destino para links: ela precisa ser um produto editorial que mereça espaço na caixa de entrada.

3. Retire o tráfego do posto de principal KPI

Tráfego pode ser acompanhado, mas não deveria ser tratado automaticamente como o principal indicador de sucesso. Uma queda nas visitas não significa, necessariamente, uma queda na influência do marketing. Assim como o crescimento de sessões não garante aumento de receita.

A audiência em seu site é um meio para você vender seu produto e serviço, e não um fim.

Organize a mensuração em quatro níveis:

Marketing sem cliques? Como gerar demanda e medir resultados quando seu site deixa de ser o centro da jornada

Os três primeiros níveis são sinais de que o marketing está avançando. O resultado principal continua sendo sua contribuição para o negócio, mesmo quando não existe um clique capaz de conectar perfeitamente o início e o final da jornada.

4. Construa as evidências públicas que criam a demanda

Busca geralmente não cria a demanda. Ela captura uma demanda construída.

Uma pessoa pode conhecer sua empresa em um post no LinkedIn, ouvir seu fundador em um podcast, encontrar sua marca em uma newsletter e receber uma recomendação dentro de uma comunidade. Somente depois disso ela pesquisa o nome da empresa e converte.

O relatório de atribuição provavelmente entregará todo o crédito ao Google. Mas a decisão começou muito antes.

Marketing sem cliques? Como gerar demanda e medir resultados quando seu site deixa de ser o centro da jornada

Por isso, seu trabalho não termina em conquistar posições nos resultados de busca. Você precisa participar ativamente do registro público sobre o seu mercado: avaliações, fóruns, discussões, entrevistas, comparativos, menções em sites de terceiros e páginas que os sistemas de IA possam encontrar, citar e resumir.

A busca captura a demanda. As evidências públicas ajudam a criá-la.

5. Trate conteúdo como um serviço para o negócio

Todo conteúdo precisa ter um “job to be done” e um cliente a atender. Antes de produzir qualquer peça, responda:

  • Quem precisa desse conteúdo?
  • Qual resultado ele deve ajudar a gerar?

Um estudo de caso pode servir ao time comercial e ser medido pela taxa de fechamento ou pela redução do ciclo de vendas.

Um tutorial pode apoiar Customer Success e ser avaliado pela adoção de uma funcionalidade ou pela diminuição de chamados.

Uma pesquisa proprietária pode atender comunicação e parcerias, gerando citações, backlinks, convites e oportunidades.

Para transformar isso em processo, nenhum conteúdo deveria entrar em produção sem um briefing que defina:

Marketing sem cliques? Como gerar demanda e medir resultados quando seu site deixa de ser o centro da jornada

Parece mais trabalhoso no início, mas essa disciplina reduz a produção de peças descartáveis. O time passa a criar menos conteúdo, com mais utilidade, distribuição e impacto.

O objetivo não é publicar mais. É fazer com que cada conteúdo tenha uma função clara na construção de audiência, demanda ou receita.

No fim do dia, marketing (ainda) é feito por pessoas, para pessoas.

Marketing continua sendo feito por pessoas, para pessoas. A diferença é que agora existem agentes no meio desse caminho: mecanismos de busca, algoritmos de recomendação e inteligências artificiais que leem, organizam, resumem e decidem quais conteúdos serão apresentados como resposta.

Isso exige duas competências ao mesmo tempo. Seu conteúdo precisa ser acessível, estruturado e verificável para que esses sistemas consigam compreendê-lo e recomendá-lo. Mas também precisa ter opinião, repertório, experiência e utilidade real para conquistar quem está do outro lado.

Otimizar apenas para as máquinas produz conteúdo genérico. Ignorá-las pode tornar sua marca invisível.

Otimize para os agentes. Crie para as pessoas.

Porque a IA pode colocar sua marca dentro da resposta mas ainda é a confiança de uma pessoa que faz com que ela seja escolhida.

Flávio Fratucci é fundador e CEO da growwW, agência especializada em Growth Marketing e Revenue Operations. Há mais de dez anos, atua na construção de estratégias que conectam marketing, vendas, customer success, tecnologia e dados para gerar crescimento e receita em empresas B2B. Formado em Ciência da Informação pela UFSCar, também é COO da Clack e pesquisa a aplicação prática da inteligência artificial em conteúdo, aquisição, processos comerciais e tomada de decisão. Em seus projetos, combina visão estratégica e execução para transformar marketing em uma operação mais integrada, mensurável e conectada aos objetivos reais do negócio.

Perguntas frequentes sobre Marketing de Clique Zero

1. O que é Marketing de Clique Zero?

Marketing de Clique Zero é uma estratégia que entrega conteúdo e valor diretamente nas plataformas em que o público já está, sem depender de que a pessoa clique em um link para acessar o site da empresa. Isso inclui conteúdos nativos em redes sociais, newsletters, vídeos, podcasts, comunidades, mecanismos de busca e respostas geradas por inteligência artificial.

O objetivo não é eliminar o clique, mas construir atenção, autoridade e demanda mesmo quando ele não acontece.

2. Por que cliques e tráfego não são suficientes para medir o marketing?

Cliques e tráfego representam somente a parte da jornada que as ferramentas conseguem identificar. Uma pessoa pode conhecer uma marca em um podcast, acompanhar seus conteúdos no LinkedIn, receber uma recomendação pelo WhatsApp e pesquisar sobre ela em uma inteligência artificial antes de visitar o site.

Quando a conversão acontece, o Google Analytics ou o CRM geralmente atribui o resultado ao último contato rastreável. Isso faz com que canais responsáveis por construir a demanda desapareçam dos relatórios ou sejam classificados como tráfego direto.

3. Como medir os resultados do marketing quando os cliques diminuem?

A mensuração deve combinar quatro camadas de indicadores: distribuição e atenção, construção de audiência, sinais de demanda e resultados de negócio.

Isso envolve acompanhar alcance, impressões, tempo de consumo, seguidores relevantes, assinantes, buscas pela marca, tráfego direto, visitas recorrentes, menções, oportunidades, evolução do pipeline, conversão, CAC e receita. Nenhum indicador explica toda a jornada isoladamente. O objetivo é identificar ganhos incrementais e padrões consistentes entre atividade de marketing, crescimento da demanda e resultados comerciais.

4. O Marketing de Clique Zero torna o site e o SEO irrelevantes?

Não. O site continua sendo um ativo próprio importante para apresentar a empresa, aprofundar conteúdos, comprovar autoridade e converter a demanda. O SEO também permanece relevante para mecanismos de busca e para sistemas de inteligência artificial que pesquisam, leem e resumem informações publicadas na internet.

O que muda é o papel do site: ele deixa de ser o destino obrigatório de todas as interações e passa a integrar uma jornada distribuída entre diferentes plataformas, conteúdos e pontos de contato.

5. Como adaptar uma estratégia de conteúdo ao Marketing de Clique Zero?

A empresa deve produzir conteúdo nativo e completo para os canais em que seu público realmente presta atenção. Cada peça precisa ter um público definido, um trabalho a realizar, uma ação esperada, um plano de distribuição e um indicador relacionado ao negócio.

O conteúdo também deve ser estruturado, acessível e verificável para que mecanismos de busca e agentes de inteligência artificial consigam compreendê-lo, citá-lo e recomendá-lo. A regra é simples: otimize para os agentes, mas crie para as pessoas.

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